Artigos e Opiniões
29 de junho de 2020
Fundo de criptomoedas chega, enfim, aos clientes de varejo da XP

Em um passo rumo à popularização do investimento em criptomoedas no Brasil, a XP passa a oferecer pela primeira vez em sua prateleira, nesta segunda-feira, um fundo que aplica em bitcoins e afins. É o Discovery, da gestora Hashdex, que tem investimento mínimo de R$ 500 e pode ser acessado por qualquer um. 

Até então, o único fundo de criptomoedas oferecido pela XP era o Explorer, também da Hashdex, mas ele só pode ser acessado por investidores da categoria qualificado, aqueles com patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão. Além disso, seu investimento mínimo é de R$ 10 mil, e é preciso passar por um assessor para chegar até ele — o fundo não aparece na plataforma digital da corretora. Embora os criptoativos não estejam regulamentados no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite desde 2018 a exposição indireta dos investidores a eles, por meio de fundos locais que invistam parte do patrimônio no exterior.

O fundo de varejo da Hashdex investe em criptomoedas apenas 20% do patrimônio, que soma R$ 10 milhões. Os 80% restantes estão aplicados em renda fixa. A exposição em criptomoedas é feita por meio de um índice composto por várias delas, o Hashdex Digital Assets Index. A composição é dinâmica, e hoje o bitcoin tem peso de 75%, seguido pelas criptomoedas Ethereum (cerca de 11%) e XRP (3,5%). Ao todo, são 16 ativos dentro do índice.   

— A alocação de apenas 20% em criptomoedas deixa o fundo menos “nervoso”, podendo representar uma porta de entrada a esse tipo de ativo — defendeu Marcelo Sampaio, co-fundador e diretor-executivo da Hashdex.

Especialistas recomendam exposição reduzida a investimentos como esse, como uma forma de diversificação que respeite o perfil do investidor.     

Dado o investimento mínimo de R$ 500, o Discovery é o fundo de criptomoedas mais acessível do mercado brasileiro — os outros dois fundos voltados para o público geral exigem aplicação inicial a partir de R$ 1 mil. Até então, o Discovery só estava disponível em plataformas concorrentes da XP: BTG Pactual Digital, Easynvest, Genial, Guide, Modalmais e Órama. 

A taxa de administração do Discovery é de 1% ao ano, mas ela pode subir devido aos custos de exposição aos criptoativos, com teto de 1,7%.   

No ano, a rentabilidade acumulada do fundo está em 14,3%, ajudada pela alta do dólar, que fez disparar o valor do bitcoin em reais.    

 
Jornal O Globo