Artigos e Opiniões
27 de julho de 2020
A mania das criptomoedas de coronavírus: quem está por trás da compulsão de comprar Bitcoin?

Observações feitas pela Fintech Snark Tank

As negociações de Bitcoin, Ethereum e outras criptomoedas aumentaram acentuadamente no início de 2020, subindo para uma nova alta em fevereiro - um nível que foi sustentado pelo auge da crise do Coronavírus de março a maio.

De acordo com o Coin Metrics:

"Se as taxas de crescimento histórico puderem ser mantidas, o volume diário atual do Bitcoin precisaria de menos de 4 anos de crescimento para exceder o volume diário de todas as ações dos EUA e menos de 5 anos para exceder o volume diário de todos os títulos dos EUA"

De onde vem esse volume de negociação alimentado pela crise do coronavírus e quem impulsionará o futuro crescimento de cripto?

Quem está comprando Bitcoin?

Um novo estudo da Cornerstone Advisors revelou que 15% dos americanos adultos possuem, atualmente, alguma forma de criptomoeda - pouco mais da metade deles investiu em criptomoeda pela primeira vez durante os primeiros seis meses de 2020.

Em média, esses novos investidores obtiveram aproximadamente US $ 67,5 bilhões em criptomoedas, aproximadamente US $ 4.000 por pessoa. O valor reportado de criptomoedas como Bitcoin e Ethereum para os americanos que possuíam esses ativos antes deste ano é de cerca de US $ 111 bilhões, ou quase US $ 7.000 por pessoa.

Com 15% de penetração, os EUA ultrapassam os 10 principais países com  maior adoção de criptomoedas, de acordo com dados de setembro de 2019 (embora muito já tenha mudado desde então).

Os dados demográficos dos compradores de Bitcoin

Quem alimentou a compra de Bitcoin durante a crise?

•Homens com alta renda e alto nível de escolaridade. Quase oito em cada dez compradores de cripto em 2020 eram homens com uma renda média anual de US $ 130.000. Quatro em cada dez possuem mestrado ou certificado superior (70% possuem bacharelado ou superior).

•Millenials e Geração X. A geração dos Millenials (26 a 40 anos) representou 57% dos consumidores que compraram criptomoedas em 2020, enquanto a geração X (41 a 55 anos) representou 30%. No geral, 27% dos Millenials e 21% dos membros da  geração X possuem alguma forma de criptomoeda, contrastando com 7% da geração Z e 3% dos Baby Boomers

•Clientes do Bank of America. 21% de todos os consumidores consideram o Bank of America seu banco principal. Dos consumidores que compraram criptomoedas durante esse período, quase metade - 47% - são clientes do Bank of America. Seria comum supor que os compradores de Bitcoin seriam clientes de bancos digitais, entretanto apenas 6% consideram um banco digital seu banco principal – considerando a população total.

O benefício do Bitcoin

É difícil comprovar um efeito causal, mas 44% dos americanos que investiram em Bitcoin e outras criptomoedas disseram que sua saúde financeira está "muito melhor" desde o início da crise do Covid-19. Isso contrasta com apenas 5% de todos os outros consumidores dos EUA.

Investidores de primeira viagem

Analisando através de uma perspectiva demográfica, os investidores iniciantes possuem características bastante parecidas com o grupo anterior. Diferem-se, todavia, pelo menos no seguinte aspecto: estão mudando as instituições financeiras com as quais negociam.

Dentre os consumidores que investiram em criptomoedas pela primeira vez em 2020, metade mudou seu primary banking relationship nos últimos seis meses - um terço o fez apenas nos últimos três meses.

O efeito Apple

Apesar de os titulares dos cartões de crédito  Apple representarem, apenas, 5% de todos os clientes de cartão de crédito, é importante ressaltar que, entre os que possuem o cartão, 47% possuem alguma forma de criptomoeda - dois terços compraram criptografia em 2020.

A nova onda de investidores

Éimportante pontuar que 11% dos americanos que esperam investir em Bitcoin e outras criptomoedas encaixam-se em grupos demograficamente distintos do grupo atual de investidores. Especificamente, são eles:

Mulheres. As mulheres representam 22% dos atuais investidores de criptomoedas. Na próxima onda, elas passarão a representar 35% do total.

Minorias étnicas. Os consumidores afro-americanos e hispânicos, que representam 28% da população estadunidense, respondem por 23% dos atuais investidores de criptoativos. Considerando aqueles que pretendem investir nos  próximos 12 meses, 37% pertencem a esses dois grupos étnicos.

Mais jovens e mais velhos. Apenas 6% da Geração Z e dos Baby Boomers já possuem criptomoedas. Na próxima onda de investidores, são esperados 17% de indivíduos da Geração Z e 11% de Baby Boomers.

Baixa escolaridade. Apenas 18% dos atuais investidores de cripto não possuem, ao menos, um diploma universitário. Nos próximos 12 meses, espera-se que esse percentual suba para 36%.

Uma preocupação relativa à próxima onda de investidores é o fato de apenas 30% considerarem-se “muito alfabetizados financeiramente”, contrapondo-se com 54% daqueles que já possuem criptomoedas. 

Cripto como oportunidade para os bancos.

O aumento no investimento em criptomoedas tem se mostrado benéfico para a Square. A receita de Bitcoin para seu Cash App foi de US $ 306 milhões no primeiro trimestre de 2020, acima dos US $ 65 milhões faturados no primeiro trimestre de 2019. Não surpreendentemente, relatórios indicam que o PayPal pretende oferecer cripto através de seus aplicativos PayPal e Venmo.

Embora muitos bancos impeçam que seus clientes comprem criptomoedas utilisando os cartões que emitem, a integração do investimento em criptomoedas levanta novas questões para tais instituições financeiras - não apenas relativo à permissão de uso de seus cartões, mas também sobre o fornecimento de mais serviços relacionados a investimentos em criptomoeda.

Um recente anúncio feito pelo Office of the Comptroller of the Currency  (OCC) evidenciou a abertura de algumas portas para o segmento. De acordo com um artigo da Revista Forbes, a OCC afirmou em carta: 

“Esclarece que os bancos nacionais têm autoridade para fornecer contas bancárias fiduciárias e serviços de custódia de criptomoedas para empresas de criptomoeda. Esse esclarecimento pode abrir as portas para instituições financeiras maiores fornecerem contas bancárias para empresas de criptomoeda, além de fornecer serviços de custódia para as chaves privadas dos clientes. "

Alguns bancos, porém, aparentam ter uma vantagem. Um site chamado Moon Banking desenvolveu uma pontuação de “compatibilidade com cripto” para os bancos, sendo o USAA e o Ally Bank líderes na pesquisa.

Todos os bancos - em particular, bancos comunitários e cooperativas de crédito – deveram buscar oportunidades para fornecer carteiras de Bitcoin e outros serviços para negociação com criptomoedas, diversificando  diferenciar seus serviços.