23 de dezembro de 2021

Criptomoedas lideram ganhos em 2021; veja quais são os ativos mais promissores para 2022, segundo especialistas

Moedas digitais atreladas a tecnologias como metaverso, contratos inteligentes e gamecoins são vistas como as mais promissoras

Artigo de Silvia Rosa publicado originalmente no blog da plataforma de investimentos TradeMap

 

Apesar de passarem por uma correção no fim de 2021, assim como outros ativos de risco, diante da perspectiva de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, as criptomoedas lideram os ganhos do ano. E o desenvolvimento de novas tecnologias como metaverso, contratos inteligentes e finanças descentralizadas torna os criptoativos uma classe de investimento ainda interessante para 2022, na opinião de gestores e analistas.

“Acho que boa parte do movimento de alta de juros nos EUA já está precificada, não se deveria esperar um impacto significativo sobre preço”, diz João Marco Braga da Cunha, gestor de portfólio da Hashdex.

mercado de criptmoedas tem se sofisticado no Brasil e vai muito além do Bitcoin. Para 2022, analistas e gestores veem as criptomoedas atreladas a plataformas de contratos inteligentes (smart contracts), tokens originários de jogos virtuais (gamecoins) e do universo metaverso entre as mais promissoras.

 

Moedas ligadas a metaverso em expansão

 

Desde que o Facebook  mudou seu nome para Meta e anunciou o investimento de US$ 10 bilhões para a criação de seu próprio metaverso, as criptmoedas ligadas a essa tecnologia dispararam.

A moeda digital usada no jogo Axie Infinity (AXS) e a MANA, da plataforma de realidade virtual Decentreland, estão entre as que mais subiram em 2021, acumulando valorização de mais de 19.000% e 690% respectivamente, até 22 de dezembro.

O conceito de metaverso está ligado a um universo de realidade virtual, no qual usuários podem interagir entre si como avatares digitais e realizar diversas atividades como jogar, comprar coisas e trabalhar usando uma moeda de troca associada a ele como a MANA, no Decentraland.

“Acreditamos que novos jogos nesse modelo, nos quais jogadores são remunerados para jogar e que acontecem dentro de um ambiente de metaverso, possam ser um dos destaques do setor em 2022”, diz Theodoro Fleury, gestor da QR Asset Management.

Um forte candidato nesse sentido, segundo Fleury, é o jogo Illuvium, cuja criptomoeda associada é a ILV.

Fora os jogos, a construção de mundos paralelos que visam reproduzir a vida cotidiana em um ambiente virtual deve continuar se desenvolvendo no próximo ano. Os principais ativos do setor são, segundo Fleury, as plataformas virtuais The Sandbox (SAND) e Decentraland, que devem continuar ganhando tração ao longo do ano, principalmente com a venda de terrenos virtuais em seus metaversos. Em novembro, um terreno virtual foi vendido no Decentraland por US$ 2,4 milhões.

 

Criptoativos ligados a smart contracts devem ganhar tração

 

Criptoativos ligados a contratos inteligentes devem continuar ganhando tração em 2022.

Os smart contracts são sistemas de contratos utilizados para executar transações automaticamente sem a necessidade da intermediação de um terceiro. Eles podem ser usados para transações como empréstimos, ou para a criação de artigos colecionáveis conhecidos como NFTs. Esses tokens funcionam como um certificado digital de propriedade, que nada mais são que um código de computador que fica armazenado em uma rede de blockchain como a Ethereum.

A Ether (ETH), criptomoeda da rede Ethereum e a segunda maior em valor de mercado atrás apenas do Bitcoin, subiu mais de 400% em 2021, cerca de seis vezes mais que o Bitcoin.

“Temos um peso maior em Ether que, junto ao Bitcoin, representa 50% da nossa carteira recomendada de criptomoedas”, afirma Vinicius Bazan, analista de criptomoedas da Empiricus.

O analista da Empiricus também vê oportunidades em outras moedas ligadas a smart contracts, como a Solana (SOL). “A Solana resolve uma das coisas que a rede Ethereum não consegue, que é a escala, e tem uma aplicação legal para jogos”, diz Bazan.

Fleury, da QR Asset Management, espera que a execução de smart contracts migre da rede Ethereum para blockchains alternativas e, nesse sentido, protocolos de comunicação entre diferentes blockchains podem ser destaque para o ano que vem.

A criptomoeda Polkadot (DOT), por exemplo, é um dos criptoativos que têm como proposta criar um sistema que integre diferentes blockchains, para que eles possam realizar transferências entre si.

Os smart contracts também são utilizados em protocolos de finanças descentralizadas, conhecidos como Defi, que permitem a realização de operações entre usuários, como empréstimos e investimentos, sem exigir uma instituição financeira por trás.

Hoje, os protagonistas das DeFi são os sistemas de empréstimo de criptomoedas e as chamadas DEX — corretoras como a Uniswap, que permitem a troca de criptoativos sem a necessidade de um intermediário. “Exchange descentralizadas já são uma realidade e têm potencial de crescer”, diz Cunha, da Hashdex.

Já há no mercado alguns fundos dedicados a esses criptoativos, como o Coin Smart, da Vitreo, voltado ao público geral, que investe 20% em ativos de smart contracts e 80% em diferentes ETFs de criptoativos, e o Cripto Smart destinado a investidores qualificados, que investe em uma cesta de ativos ligados a contratos inteligentes. A gestora ainda tem um fundo em parceria com a QR Asset, o Cripto Defi, dedicado a finanças descentralizadas.

Já a Hashdex e a QR Asset lançaram os fundos listados em bolsa (ETFs) ETHE11 e o QETH11 na B3 dedicados à rede Ethereum.

 

Bitcoin deve passar dos US$ 100 mil ou entrar em bear market?

 

Depois de bater o recorde de R$ 69 mil em novembro, o Bitcoin, criptomoeda que somava US$ 930,6 bilhões em valor de mercado em 22 de dezembro, passou por uma correção no fim de 2021 puxada por investidores institucionais, acompanhando a performance de outros ativos de risco.

“Acreditamos que 2022 pode ser um ano bom para o Bitcoin, com a ressalva de que, enquanto a incerteza sobre a alta de juros nos EUA permanecer, o preço do ativo tende a ficar pressionado”, diz Fleury.

Já se o Bitcoin vai atingir a tão esperada marxca de US$ 100 mil, primeiro a criptomoeda precisará escapar da zona de bear market. “Precisamos ver o Bitcoin abaixo de US$ 40 mil para falar de uma zona mais profunda de correção. Já para consolidar o bull market, ele precisa ficar acima de US$ 52 mil, US$ 53 mil”, diz Bazan.

Como esses ativos costumam ter alta volatilidade, maior que a de ações, o ideal é o investidor ter apenas uma pequena parcela da carteira nesse risco, de até 5%. Assim, ele consegue adicionar a possibilidade de um retorno relevante sem ter grandes perdas no portfólio, diz o analista da Empiricus.

 

Riscos para o investimento em criptomoedas em 2022

 

Além da alta da taxa de juros nos Estados Unidos, o aumento da regulação dessa indústria pode trazer volatilidade para o mercado. “A tributação de atividades relacionadas a criptomoedas seria potencialmente ruim, mas acredito que regulação melhora o mercado”, diz Cunha.

Bazan, da Empiricus, também vê a questão regulatória como positiva para esse universo, no sentido de poder destravar o caminho para seu crescimento.

Ainda do lado da regulação, a comissão de valores mobiliários dos EUA, a SEC, tem manifestado repetidamente sua preocupação com o crescimento dos protocolos de finanças descentralizadas.  “É muito provável que tenhamos uma ofensiva mais forte da SEC contra esse setor específico em 2022, o que pode trazer tensão para os demais ativos”, diz Fleury.