25 de janeiro de 2022

Carta Extraordinária - Conjuntura do Mercado de Cripto

Prezados investidores e parceiros, 

 

Pela quarta vez desde que criamos a Hashdex, viemos nos dirigir a vocês motivados por grandes movimentações nos preços dos criptoativos. A primeira delas foi em março de 2020, quando os mercados de ativos financeiros foram impactados pela pandemia da COVID-19. Em janeiro de 2021, a razão foi a forte subida nos preços dos criptoativos em poucos meses deflagrada pela entrada do Bitcoin e de outras criptos no PayPal. Em junho, a comunicação foi causada pela forte queda decorrente do banimento da mineração de cripto na China que, até então, era responsável por mais da metade da mineração mundial de Bitcoin.

 

Nos três casos anteriores, independentemente da direção na qual os preços movimentavam-se, as linhas gerais de comunicação sempre foram as mesmas: apresentar a nossa visão sobre a conjuntura do momento, abrir o foco para colocar em perspectiva os aspectos estruturais e reiterar os nossos princípios de um investimento responsável e com visão de longo prazo. Seguiremos exatamente esse roteiro.

 

O Cenário Atual

 

Desde a máxima histórica do NCI e do Bitcoin, registradas no início de novembro de 2021, o mercado de criptoativos entrou em uma trajetória de queda consistente e acentuada. Os motivos para tal movimento são tanto internos ao setor de cripto quanto outros mais gerais.

 

Do ponto de vista externo, o cenário macroeconômico mundial é desfavorável para ativos de risco. A crescente preocupação com a inflação e a consequente expectativa de aumentos nos juros aumenta a atratividade de ativos mais seguros, como os títulos públicos. Ao mesmo tempo, os juros em alta reduzem a expectativa de crescimento econômico e lucros das empresas e minoram o valor presente dos fluxos de caixa futuros. Tudo isso leva a uma queda no preço das ações. O Nasdaq 100, índice altamente influenciado por empresas de tecnologia, caiu quase 15% nos últimos dois meses. 

 

O período tem sido desfavorável para ativos de risco e, desde o início da pandemia de COVID-19, os criptoativos passaram a apresentar uma correlação maior com os mercados tradicionais. Um dos possíveis motivos é a entrada de mais investidores institucionais, conforme conjecturou nosso Gestor de Portfólios em um artigo de 2020.

 

Entre os fatores mais idiossincráticos do mercado de criptoativos, o mais relevante foi a divulgação, na semana passada, de um relatório do Banco Central da Rússia defendendo o banimento da transação e mineração de criptoativos no país.

 

Os Aspectos Estruturais

 

Quando olhamos para o preço do Bitcoin desde 2020, essa é a terceira ocasião na qual há um drawdown de cerca de 50%, conforme podemos ver no gráfico abaixo:

Movimentos semelhantes e até mais acentuados foram registrados em todos os principais criptoativos. A alta volatilidade sempre foi uma característica marcante dos criptoativos. Na nossa Carta Mensal de março de 2020, destacamos “o caráter essencialmente especulativo do preço dos criptoativos, no sentido de que boa parte do valor atualmente atribuído é devido às possibilidades futuras de aplicação das respectivas tecnologias”.

 

A despeito dos significativos drawdowns, nesse período, o Bitcoin teve valorização de cerca de 370%. Já o Ethereum multiplicou seu valor por quase vinte. Isso significa que os investidores que agiram com disciplina e serenidade nos momentos de maior estresse do mercado foram fartamente recompensados. Porém, para ter serenidade é fundamental que a parcela de capital alocada em criptoativos seja adequada ao perfil de risco do investidor e que a carteira seja balanceada sempre que houver um desvio significativo em relação à meta.

 

Outro fator que ajuda a manter a calma é tirar o foco do preço e observar os outros indicadores do estágio de maturação do ecossistema de criptoativos. Após uma queda no hash rate da rede do Bitcoin com o banimento da mineração na China, esse indicador recuperou-se, atingindo uma nova máxima histórica. O Ethereum caminha para mais uma etapa do seu plano de atualização, que irá torná-lo mais escalável. Segmentos como DeFi e NFTs ganham cada vez mais adeptos. Plataformas de smart contract alternativas ao Ethereum, como Solana, Cardano e outras, ganham espaço com diferentes propostas de valor. Por mais que enfrentem restrições em países como China e Rússia, os criptoativos estão cada vez mais consolidados dentro dos arcabouços legais e regulatórios dos principais países democráticos.


Em sua breve história de pouco mais de uma década, os criptoativos demonstraram retornos bastante consistentes para horizontes de tempo mais alongados, de alguns anos. É para quem mira nesses prazos que recomendamos o investimento, sempre com um tamanho adequado (percentual de um dígito) e com atenção aos rebalanceamentos. No mais, não há nada no cenário atual que o diferencie substancialmente das crises passadas e, provavelmente, das próximas que irão ocorrer. Seguimos extremamente confiantes de que as tecnologias de blockchain trarão enormes ganhos de produtividade global e que os criptoativos são uma oportunidade única de investimento.